GESTO QUE LÊ DESVENDANDO OBJETO: METALINGUAGEM NOS QUADRINHOS EM TRÊS MOMENTOS

GESTO QUE LÊ DESVENDANDO OBJETO: METALINGUAGEM NOS QUADRINHOS EM TRÊS MOMENTOS

por Lima Neto

A palavra “meta” nunca esteve tão popular. Posso estar enganado, lógico. Mas é fato que consumidores de cultura (ou de conteúdo, dependendo do seu nível de assepsia) estão tão familiarizados com o termo “meta” que este já se tornou praticamente uma gíria. Nenhum problema com isso. Na verdade, para este que está lhes escrevendo, a metalinguagem sempre foi um fenômeno fantástico, quase místico, e poder vê-la assim tão pedestre e disponível é um sinal positivo. Sinal de que, de uma forma ou de outra, as pessoas estão pensando sobre o que consomem. Mesmo na forma de um filme do Deadpool, um episódio de Rick e Morty ou Fleabag, a presença até mesmo da metalinguagem mais domesticada implica em uma obra que está pensando a si mesma. É essa ilusão de autonomia da obra que me assombra e seduz, e os quadrinhos são mestres no uso desse recurso desde seus primeiros passos. Mas esse texto não vai resgatar essa história. Vamos por outro caminho.

Talvez compreender o termo “meta” para além da gíria - e com certeza para além do Zuckerberg – ajude a achar uma forma de ser mais ciente de si dentro desse salão de espelhos que é nosso presente.

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ConstelaChão: a FabriquInvenção das CidadesSonhos

ConstelaChão: a FabriquInvenção das CidadesSonhos

Com sua prosa poética deslizando sobre as estrelas de concreto das cidades, nosso colaborador especial Jota Erre escreve aqui sobre Lendas Inventadas, HQ de Lima Neto (membro fixo da Raio Laser) lançada em 2021 que conta, na forma de fábulas sócio-imaginativas, as histórias das regiões administrativas (cidades) do Distrito Federal, em estilos artísticos distintos, fugindo à banalidade do historicismo oficioso sobre a capital e seus arredores. (CIM).

por Jota Erre

O artista se aventura nessa pegada, nessas quebradas, na HQ Lendas Inventadas. Guardando a distância que os ônibus, baús do asfalto, mantêm da abstração corbusiana de Costa, Lima Neto devolve a potência criadora, humana por excelência, do que seria a formação mítica e poética que envolve o nascimento – e o crescimento – de uma cidade. Porque uma cidade cresce – caoticamente –, mas apenas – e principalmente – pelo fato de que o número de habitantes aumenta. E, aqui, habitantes, para o artista – e para o humano – sempre vai ser a expressão dominante sobre a expressão “número”.

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Festival de Angoulême 2022: cobertura RAIO LASER + EUROCOMICS!

Festival de Angoulême 2022: cobertura RAIO LASER + EUROCOMICS!

O site Raio Laser vai fazer uma parceria com o canal Eurocomics na cobertura do 49º Festival Internacional de Quadrinhos de Angoulême, que acontece na França entre 17 e 20 de março deste ano.

Comandado há três anos pelo radialista e colecionador PH, o Eurocomics aborda exclusivamente a produção europeia de histórias em quadrinhos através de resenhas de lançamentos e álbuns inéditos no Brasil, entrevistas com autores e editores, e reportagens realizadas em festivais, museus, gibiterias e eventos de Bande Dessinée.

Considerado um dos três maiores festivais de quadrinhos do mundo, desde 1974 o Festival de Angoulême costuma acontecer no mês de Janeiro, mas a pandemia da Covid-19 causou o cancelamento da edição presencial em 2021, bem como o adiamento da de 2022 para o final de Março. O evento acontece em diversos pontos da cidade, com exposições, palestras, lançamentos, comércio de originais e publicações raras, epetáculos e concertos, sessões de autógrafos e análises de portfólio, reunindo centenas de membros da cadeia produtiva de quadrinhos do mundo inteiro.

O artista homenageado desta edição é o quadrinista estadunidense Chris Ware, que recebe uma exposição retrospectiva no Museu de Angoulême. Outras mostras abordam a produção de nomes como o mítico roteirista René Goscinny (co-autor de Astérix, Lucky Luke, Iznogoud e Le Petit Nicolas, entre outros), o desenhista Christophe Blain, a cartunista Aude Picault, e o renomado autor de mangás de horror e guerra Shigeru Mizuki, que completaria 100 anos em 2022.

A cobertura conjunta da Raio Laser e do Eurocomics em Angoulême será realizada pelo nosso editor Ciro Inácio Marcondes e pelo designer e pesquisador de HQs Bruno Porto, que atuou como correspondente do Eurocomics na última edição presencial do Festival, em 2020, e que desde aquele ano é integrante fixo da Raio Laser.

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LASERCAST #35 - Quadrinhos do Brasil: Jornalismo e Memória

LASERCAST #35 - Quadrinhos do Brasil: Jornalismo e Memória

Jornalista e tradutor de quadrinhos, o carioca Heitor Pitombo tem décadas de trajetória na área e muitas boas histórias para contar, como vocês podem conferir no Lasercast de número 35. Ao longo do bate-papo, o convidado desta edição do podcast comenta sua atuação na cobertura de HQs, curiosidades sobre o trabalho de tradução, além, é claro, de seu mais recente livro, Quadrinhos do Brasil Vol. 1, no qual apresenta um panorama da produção nacional dos últimos anos. Pitombo ainda resgata suas recordações de eventos nos quais esteve envolvido, como a 1ª Bienal Internacional de Quadrinhos (no longínquo 1991).

Participam do debate: Pedro Brandt, Márcio Jr e o convidado Heitor Pitombo.

Edição: Eder Freire

Disponível em: SPOTIFY, APPLE PODCASTS, GOOGLE PODCASTS, CASTBOX, ANCHOR, BREAKER, RADIOPUBLIC, POCKET CASTS, OVERCAST, DEEZER

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Um sobrevoo sobre a história dos quadrinhos da Rio Gráfica e Editora

Um sobrevoo sobre a história dos quadrinhos da Rio Gráfica e Editora

por Bruno Porto

Nas últimas duas décadas, a história do mercado editorial brasileiro de histórias em quadrinhos vem solidificando-se gradualmente em livros que registram a trajetória de publicações, profissionais e editoras — como EBAL, Abril, Bloch, Grafipar e Edrel. Seria a vez da RGE juntar-se formalmente a este seleto time?

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Todas as Pedras no Fundo do Rio: não há segunda chance nesta vida

Todas as Pedras no Fundo do Rio: não há segunda chance nesta vida

por Ciro Inácio Marcondes

Eu gostava de pensar que Wagner Willian era o mais felliniano dos quadrinistas brasileiros. Porém, se tem uma coisa de que não se pode acusar o velho Wagner, é de que ele se repete. O Maestro, o Cuco e a Lenda elaborava a memória (tal qual o mestre italiano) num prisma de invenção e delírio, algo que também vamos achar em Silvestre, mesmo que em outra chave. Mas eis que chega este Todas as Pedras no Fundo do Rio, cuja proposta inicial era adaptar (subvertendo) o filme A Felicidade Não se Compra (1946), de Frank Capra, e embola tudo.

Este novo livro, um épico de mais de 200 páginas lançado pela editora do autor (Texugo) junto com o Páginas Amarelas, é um fato novo na carreira de Wagner. Ambicioso, atravessando épocas, personagens e tramas paralelas, ele parece ser também o seu esforço em dotar uma narrativa mais clássica de potência de linguagem, de deixá-la se incorporar às necessidades do roteiro, beirando a quase total exaustão.

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LASERCAST #34 – Almanacão de Férias Raio Laser

LASERCAST #34 – Almanacão de Férias Raio Laser

A equipe Raio propõe uma leitura livre e bem aplicada (com toda a expertise de sempre) de suas melhores leituras durante o nosso período de recesso. Sem embromação, são analisados: “Escuta, Formosa Márcia” (Marcello Quintanilha, Editora Veneta), “Hokusai” (Shôtarô Ishinomori, Editora Pipoca e Nanquim), “Heavy Liquid” (Paul Pope, Editora Mino), “Djelyia” (Juni Ba, Editora Skript), “Green River Killer” (Jeff Jensen, Editora Darkside), "Aventuras do Anjo - Edição de Artista" (Flavio Colin e Álvaro Aguiar, Editora Figura), entre outros!

Participam do debate: Lima Neto, Bruno Porto e Márcio Jr.

Edição: Eder Freire

Disponível em: SPOTIFY, APPLE PODCASTS, GOOGLE PODCASTS, CASTBOX, ANCHOR, BREAKER, RADIOPUBLIC, POCKET CASTS, OVERCAST, DEEZER

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